Orinoco Tribune
(31/03/2026)

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, afirmou que a Organização dos Estados Americanos (OEA) não tem autoridade para comentar sobre os assuntos internos da Venezuela; além disso, reiterou que a Venezuela não é membro dessa organização. As declarações do ministro Gil foram feitas em resposta a afirmações intervencionistas do atual chefe da OEA, o diplomata do Suriname Albert Ramdin.
Ramdin havia escrito o seguinte nas redes sociais: “As autoridades venezuelanas devem garantir que os processos de nomeação do procurador-geral e do defensor do povo atendam a padrões mínimos de transparência, mérito e participação cidadã… A nomeação de autoridades que ofereçam garantias críveis de independência para todos os setores da sociedade pode representar um passo fundamental rumo à reconciliação nacional e a uma transição democrática.”
Gil afirmou que é “profundamente dissonante que um funcionário desse organismo presuma comentar sobre processos que correspondem exclusivamente ao povo venezuelano e à sua ordem constitucional”.
Essa organização regional, há muito considerada um apêndice do Departamento de Estado dos EUA, não emitiu qualquer protesto após os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela em 3 de janeiro, que resultaram na morte de mais de 100 venezuelanos e no sequestro e prisão ilegais do presidente constitucional Nicolás Maduro e de sua esposa, a deputada Cilia Flores.
O ministro Gil também destacou que as declarações de Ramdin lembram “o legado nefasto de seu antecessor Luis Almagro”, conhecido por sua oposição ao governo venezuelano e por apoiar a extrema direita do país. Ele reiterou que “a Venezuela continuará seu caminho de autodeterminação, um direito inalienável de seu povo”.
Em 2017, o presidente Nicolás Maduro anunciou formalmente a retirada da Venezuela da OEA, e o processo foi concluído em 2019 após acusações de interferência do organismo nos assuntos internos do país.
O parlamento venezuelano informou na última sexta-feira que recebeu 21 novas candidaturas — 18 para o cargo de defensor do povo e três para procurador-geral. Ao mesmo tempo, anunciou a extensão do prazo de seleção, com o objetivo de alcançar consenso no processo constitucional, apesar da ampla maioria chavista no parlamento.
Entre os novos candidatos está o jornalista Vladimir Villegas, irmão do ex-ministro da Cultura Ernesto Villegas, que inicialmente também havia se inscrito para o mesmo cargo, mas acabou desistindo após críticas da oposição. A ex-deputada de oposição Marialbert Barrios também figura na lista de candidatos para defensor do povo. No total, há 78 candidaturas para esse cargo e 76 para procurador-geral.
Analistas afirmam que é altamente improvável que o Partido Socialista Unido da Venezuela, que domina as eleições há 27 anos, permita que a oposição de extrema direita coloque um de seus simpatizantes no Ministério Público; no entanto, é possível que isso ocorra no caso da Defensoria do Povo.




